


O Tear Invisível
Não carregue nos ombros o peso do que apelidou de fracasso. Você lutou, sangrou e sacrificou os dias; ainda assim, o horizonte pretendido esquivou-se dos seus passos.

"Tente outra vez", sussurra o mundo, num eco infinito e exaustivo. Mas a verdade, nua e crua, é que há marés que simplesmente não foram feitas para que as navegássemos. Nem toda conquista está escrita nas linhas da nossa palma.

Na grande arena da existência, enquanto um ergue o troféu, outro recolhe os próprios pedaços.

Contudo, o grande equalizador nos aguarda no mesmo destino silencioso. Sob a terra, as lápides ostentam títulos pomposos: o grande cientista, o maestro genial, o atleta insuperável. Uns deixam legados esculpidos no mármore do tempo; outros, apenas a saudade.
Enquanto isso, o teatro do absurdo se manifesta. Por um capricho do acaso, um alinhamento de estrelas ou um desígnio divino incompreensível, os medíocres alcançam a glória. Homens destituídos de ética e moral sobem ao topo, colhendo os louros que custaram o suor e a vida daqueles que lutaram até a última gota de alma — e nada conseguiram.

O futuro seria mutável? Permita-me duvidar. Há uma força determinista que rege o cosmos, onde cada dor e cada glória se encaixam como peças perfeitas de um quebra-cabeça imenso. Tudo é calculado de forma infinitesimal. Tudo, como dizem os antigos, já está escrito.

Se estiver decretado que um rei, hoje corroído pelo remorso, prostrado em uma cama de depressão e culpa, deva se levantar e retomar sua coroa, assim será. O vento do destino soprará e o erguerá do abismo.

Olhe ao redor: até entre as feras a sorte distribui suas cartas de forma desigual. Uns nascem em berço de ouro; outros, na miséria mais inóspita e cruel. Existem correntes imutáveis que chamamos de destino. Há quem sinta o peso de maldições hereditárias, esses emaranhados atávicos que herdamos no sangue e que tentamos, em vão, quebrar.

Mas diante da vastidão, nenhum feitiço ou magia pode alterar o roteiro original. O que tem de ser, inevitavelmente, será. Resta-nos apenas render-nos à energia inteligente, soberana e sábia que arquitetou o universo — essa força misteriosa a que, na nossa pequenez, ousamos chamar de Deus.

Muito obrigada pela sua leitura 📚!!