


Manual do Pequeno Pepino
Diz o saber popular que “é de pequenino que se torce o pepino”. Uma metáfora curiosa, convenhamos, já que ninguém quer terminar a vida com a coluna em forma de conserva. Mas a lógica é implacável: para que o vegetal — ou o humano — não cresça torto, a semente precisa de um solo que não seja puro cascalho e de uma genética que ajude a não virar erva daninha.
A Receita do Ser
Nós, esse projeto ambicioso de bípede, seguimos a cartilha botânica. Somos sementes fecundadas, gestadas e lançadas ao mundo com um choro que exige atenção imediata.

Segundo Piaget (aquele senhor que olhava para as crianças e via engrenagens sensório-motoras em pleno funcionamento), temos fases para tudo. Existe um tempo para aprender a não comer areia e um tempo para entender a física quântica.

O problema é que o Tempo é esse conceito elástico. Talvez ele só exista no balcão da nossa Via Láctea, uma convenção para não chegarmos atrasados ao jantar.

Mas, nesse micro-universo, o tempo é o escultor que molda o intelecto e, com sorte, a moral. Afinal, sem um “toque de alerta”, o ser humano médio tem a bússola ética de um esquilo faminto: não sabe o que é certo ou errado, apenas o que é “meu”.

Dois Lados da Moeda (e um abismo no meio)
Como profetizou a santa padroeira do rock and roll, Rita Lee, o mundo muda. E ela, otimista incorrigível, dizia que muda para melhor.

Pode-se concordar, embora o mundo seja esse lugar maniqueísta onde tudo tem dois lados — como uma moeda que insiste em cair em pé no meio da lama. Criamos a penicilina, a Inteligência Artificial, a bomba; a internet e os comentários de portais de notícia.
Vivemos nesse antagonismo eterno, onde a consciência ambiental virou artigo de luxo. Se não cuidarmos da terra, o presente que deixaremos para os nossos netos será um cartão-postal de um deserto, com uma nota de rodapé dizendo: “Desculpe, bebemos toda a água potável!”.

O Bicho Homem e o Retrocesso Tecnológico
É fascinante (e um tanto trágico) observar que temos foguetes indo para Marte, Inteligência Artificial, mas ainda carregamos atitudes de quem acabou de descobrir o fogo e decidiu usá-lo para queimar o vizinho.

A Ilusão do Macho Alpha: Ainda há quem acredite, em pleno século XXI, que o homem é o “dono” da mulher. Uma herança animalesca que ofende até os animais, pois as fêmeas da natureza geram, cuidam e mantêm o equilíbrio com uma competência que nenhum governo retrógrado jamais alcançou.
O Parasita de Grife: Chamamos nossas atitudes ruins de “animalescas”, mas isso é um insulto aos bichos. O animal respeita o ecossistema; o ser humano é o único parasita que destrói o próprio hospedeiro por puro egoísmo e desejo de marcar território.

A Árvore Genealógica
Por fim, há a questão do sangue. Quando a semente vem de um pomar de má índole, a probabilidade do fruto nascer com um gosto amargo é imensa.

A genética é um sussurro dos ancestrais que, às vezes, grita nos nossos erros.

Se queremos um mundo melhor, precisamos de mais do que intelecto; precisamos de cordialidade. Precisamos parar de ser pepinos tortos e tentar ser, pelo menos, uma sombra agradável para quem vem depois.
Sem-noção
Como bem define a expressão “sem noção”, o mundo humano contido no cerne do Planeta Terra, só irá melhorar através da educação. A educação pode levar à prática do amor e da cordialidade. Neste item não há novidade!

A educação leva à Ciência. A Ciência pode nos ajudar através de medicamentos e, quem sabe, no futuro, cabines harmonizadoras?

Muito obrigada por sua leitura 📚. Se puderem comentar, agradeço! As trilhas sonoras também as faço.