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O Despertar das Letras Quânticas na Biblioteca Hipercubo

 

As letras, antes aprisionadas em livros e telas holográficas, emergiram em um enxame cintilante, desafiando o mundo real. Pelo menos a parte na qual todos os que são como eu, conhecemos. Eram entidades digitais e analógicas, uma sinfonia de códigos binários e glifos ancestrais: baixas e esguias, cúbicas e etéreas, em uma paleta de cores luminescentes e texturas mutantes.

A união delas era um espetáculo de inteligência coletiva, um algoritmo vivo. Imagine um ser não alfabetizado em meio a essa dança de informação! Seria engolido por um turbilhão de significados, um curto-circuito neural.

Meu TOC bibliotecário se retorceu. Sou um homem de ordem, um guardião do conhecimento catalogado. Baratas? Insetos arcaicos! Minha fobia é do caos informacional.

O primeiro a se manifestar foi um "A" em negrito, projetado em 3D, pulsando com energia. Emergiu de um tomo de Machado de Assis, uma relíquia da literatura clássica, agora com capa metamórfica e páginas que se desdobravam em infinitas narrativas.

Confundi-o com um glitch, uma anomalia no sistema da biblioteca. Peguei o neutralizador de anomalias dimensionais, guardado perto dos cristais de naftalina, e disparei.

O "A" emitiu um som agudo, um feedback ressonante, e se fragmentou em pixels, apenas para se recompor, crescendo em escala e poder.

Avançou em minha direção, um avatar da linguagem indomável. Fiquei paralisado, testemunhando o impossível. As letras inundaram o espaço, um cardume de informação em busca de um sentido.

Hieróglifos, ideogramas, emojis... um babel de símbolos. O que queriam me dizer? Minha mente, um processador sobrecarregado, questionava a própria sanidade.

Esfreguei os olhos, tentando reiniciar. Mas a biblioteca estava isolada, um santuário de conhecimento. Ninguém me interromperia.

Então, as letras se fundiram, formando um vórtice de dados, um buraco negro de informação.

Fui sugado para dentro dele, e me tornei o protagonista de todas as histórias já contadas, e daquelas que ainda seriam escritas em futuros distantes. Uma odisseia literária através do tempo e do espaço, onde a linguagem era a própria realidade. 


 

Muito obrigada por sua leitura! 📚 

As trilhas sonoras, também as crio.

Este texto é uma releitura do meu " O Motim das Letras", publicado em 2004, no livro "Gauche, a estranheza". Também se encontra no Recanto das Letras.

 

 

LYGIA VICTORIA
Enviado por LYGIA VICTORIA em 22/03/2025
Alterado em 30/03/2025


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